A uma transeunte
A rua ensurdecedora em meu redor berrava
Alta, esguia, de luto carregado, dor majestosa,
Um mulher passou, com sua mão faustosa
Erguendo, baloiçando o ramo e a bainha
Ágil e nobre, com sua perna de estátua,
Eu bebia, crispado como extravagante,
No seu olhar, céu lívido onde nasce o furacão,
A doçura que fascina e o prazer que mata
Um raio… em seguida, a noite! __ Beleza fugitiva
Cujo olhar me fez repentinamente renascer,
Só voltarei a ver-te na eternidade?
Algures, bem longe daqui! Demasiado tarde! Nunca talvez!
Eu não sei para onde fugiste, tu não sabes para onde vou,
Tu que eu teria amado, tu que sabias que sim!
Charles Baudelaire, "As Flores do Mal", Relógio D'Água, 2003
1 comentário:
Todos a achar que sabem tantas coisas e nada sabem. Nada. Eu não sei. (Nada.) Que lindo este poema. Tão triste. (ou não, depende por onde se olha para ele). Obrigada irmão K por este belo momento.
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