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sexta-feira, 4 de julho de 2014

quero outro dia no final da noite #5



«O homem é esta noite, este nada vazio que contém tudo na simplicidade desta noite, uma riqueza de representações, de imagens infinitamente múltiplas, nenhuma das quais lhe vem precisamente ao espírito, ou que não existem como efetivamente presentes (…) É esta noite que descobrimos quando olhamos um homem nos olhos, uma noite que se torna terrível, é a noite do mundo que se avança diante de nós»

Friedrich Hegel, "Filosofia do espírito"

sexta-feira, 30 de maio de 2014

quero outro dia no final da noite #4



«No fundo da matéria cresce uma 
vegetação obscura; na noite da matéria 
florescem flores negras. Elas já têm seu 
veludo e a fórmula do seu perfume.» 

Gaston Bachelard, “A Água e os Sonhos”, Martins Fontes, 1997

quinta-feira, 1 de maio de 2014

quero outro dia no final da noite #3



«Para descrever o espectáculo, a sua formação, as suas funções e as forças que tendem para a sua dissolução, é preciso distinguir artificialmente elementos inseparáveis. Ao analisar o espectáculo, fala-se em certa medida a própria linguagem do espectacular, no sentido em que se pisa o terreno metodológico desta sociedade que se exprime no espectáculo. Mas o espectáculo não é outra coisa senão o sentido da prática total de uma formação económico-social, o seu emprego do tempo. É o momento histórico que nos contém. »

Guy Debord, "A Sociedade do Espectáculo", Edições Antipáticas, 2010

terça-feira, 11 de março de 2014

quero outro dia no final da noite #2



«A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!»

Paulo Leminski e outros, "Caminho da Poesia", Global Editora, 2006