sexta-feira, 12 de julho de 2013

o poeta sabe menos que o poema #6


«Deve haver, no mais pequeno poema de um poeta, qualquer coisa por onde se note que existiu Homero.
A novidade, em si mesma, nada significa, se não houver nela uma relação com o que a precedeu. Nem, propriamente, há novidade sem que haja essa relação. Saibamos distinguir o novo do estranho, o que, conhecendo o conhecido, o transforma e varia, e o que aparece de fora, sem conhecimento de coisa nenhuma. Entre os escritores que descendem com novidade da velha stirpe e os que aparecem por novos por pertencer a uma estirpe incógnita há a mesma diferença que há entre o homem que nos dá uma sensação de novidade por frases novas que diz e o que nos dá uma sensação de novidade, por, falando mal nossa língua, nos dizer estropiadamente qualquer frase dela.»

Fernando Pessoa, "Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação", Ática, 1996

4 comentários:

Thiago M. disse...

Citação:
«Entre os escritores que descendem com novidade da velha stirpe e os que aparecem por novos por pertencer a uma estirpe incógnita (...)»

Pergunta:
Com qual destes dois tipos de escritor te identificarias?

(e não me digas que não és escritor, pois vejo-te escrever a tua própria escrita na selecção criteriosa que fazes dos textos que transcreves)

:-)

Irmão Karamazov disse...

da velha stirpe incógnita, capaz de mito e matemática,
de física e poesia, de anedota e metafísica, de cálculo e de sonho.

Thiago M. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago M. disse...


«velha stirpe incógnita» !!!

lol