quinta-feira, 6 de junho de 2013

quero outra noite no fim do dia #16




«"As tuas flechas não chegaram ao alvo," observou  o Mestre, "porque espiritualmente tu não alcanças bastante longe. Deves proceder como se o alvo se encontrasse infinitamente afastado. Para nós, mestres arqueiros, é facto assente que um bom arqueiro consegue atirar mais longe com um arco medianamente forte do que um arqueiro não-espiritual como o mais forte arco possível. É que não depende do arco, mas sim da presença de espírito, da vitalidade e da consciência com que se dispara. De modo a libertares toda a força desta consciência espiritual, deves executar a cerimónia de modo diferente: mais como um bom bailarino dança. Se assim o fizeres, os teus movimentos originar-se-ão no centro, no apoio da respiração correcta. Em vez de desenrolares a cerimónia como algo aprendido de cor, será então como se estivesses a criar de acordo com a inspiração do momento, de tal modo que a dança e o bailarino serão uma e a mesma coisa. Executando a cerimónia como uma dança religiosa, a tua consciência espiritual desenvolverá toda a sua força."»      

Eugen Herrigel, "Zen e a arte do tiro com arco", Via Optima, 1987

1 comentário:

Thiago M. disse...

«É que não depende do arco,
mas sim da presença de espírito,
da vitalidade e da consciência
com que se dispara.»

Assim penso eu!