basta que te dispas até te doeres todo, retoma-te no tocado, no aceso, e fica cego e, por memória do tacto, desfaz os nós, muitos, muito atados uns nos outros, e que inteiramente te alcance o ar e, depois de te haver abraçado de alto a baixo, apareça já inextricável, ar falado, a fino ouvido: cacofónico, mas de um modo exacto, acho, música inquieta, inconjunta, impura, isso: essa música Herberto Helder, "A Faca não Corta o Fogo", Assírio & Alvim, 2008
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