quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Perguntas Abandonadas #35
«Para onde irão depois as coisas que aprendi?
Por exemplo: aquele cálculo de pi.
Que será feito daqueles restos de saudade,
destes medos antigos sempre novos?
Em que voltas desaparecerão os sonhos
que enfeitaram de flores o quintal antigo?
Por que caminhos irão andar aqueles ágeis pés?
Sobretudo, como se esvaziará de som a velha voz
e onde afundará o último verde daquela flama esguia?»
Abgar Renault, "Obra Poética", Editora Record, 1990
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
o poeta sabe menos que o poema #12
Enquanto lá fora avança do mar a fortalecida
onda que, de amores e desejos, nas palpitações
de um fugaz instante, tudo fará esquecer.
Paulo Teixeira, "Conhecimento do Apocalipse", & etc., 1988
domingo, 8 de dezembro de 2013
quero outra noite no fim do dia #21
«Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.»
Apocalipse 3:20
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quero outra noite no fim do dia
sábado, 7 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
A revolução ficou atrás de nós #2
«No lugar onde caiu uma voz, onde faltou o sopro da respiração, um minúsculo sinal está suspenso, em cima. Sem outro suporte além deste, hesitante, o pensamento aventura-se»
Giorgio Agamben, "Ideia da prosa", Cotovia, 1999
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
o Mal-estar da Civilização #39
«Geralmente, há no facto de ser homem um elemento pesado, fastidioso, que é necessário superar. Mas este peso e esta repugnância jamais haviam sido tão penosos como desde Auschwitz. Como vós e eu, os responsáveis de Auschwitz tinham narinas, uma boca, uma voz, uma razão humana, podiam unir-se, ter filhos: como as Pirâmides ou a Acrópole, Auschwitz é o feito, é o signo do homem. A imagem do homem é doravante inseparável de uma câmara de gás...»
Georges Bataille, "Sartre"
sábado, 30 de novembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Imediatamente embora pouco a pouco #35
«Ficaram a entreolhar-se, como se cada um quisesse sorver com os olhos e guardar para sempre a imagem do outro. Havia coisas que ele precisava de lhe dizer antes de se despedirem, mas não podia dizê-las naquele lugar de recordações luminosas, de modo que deu meia volta, seguindo-a em silêncio até ao trenó.»
Edith Wharton, "Ethan Frome", Relógio d'Água, 1994
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Imediatamente embora pouco a pouco
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
espécie de oração particular #33
«Mas sobreviver não é bom. Creia-me. Não se sobrevive por inteiro, e a parte de nós que sobra, estiola-se num não saber que fazer do tempo, que não flui, e da aridez da existência, que estanca. É um não saber o que fazer de si mesmo.»
Elisa Lispector, "Corpo a corpo", Edições Antares, 1983
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
interpretose now #13
Jean-Paul Sartre
domingo, 24 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
o poeta sabe menos que o poema #11
«Amanhã é quinta-feira.
Se o mundo cumprir com suas obrigações,
depois de amanhã será sexta.
Se não, talvez mesmo domingo
e nunca ninguém saberá
onde se extraviou nossa vida.»
Piotr Sommer
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Até hoje foi sempre futuro #13
«Fomos os Portugueses intolerantes e fanáticos dos séculos XVI, XVII e XVIII: somos agora os Portugueses indiferentes do século XIX.»
«Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos. Não sejamos, à luz do século XIX, espectros a que dá uma vida emprestada o espírito do século XVI. A esse espírito moral oponhamos francamente o espírito moderno.»
«Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito. O seu nome é Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, torná-la impossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mãos das armas. Em si, é um verbo de paz, porque é o verbo humano por excelência.»
Antero de Quental, “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares”, Guimarães Editores, 2001
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