terça-feira, 3 de dezembro de 2013
A revolução ficou atrás de nós #2
«No lugar onde caiu uma voz, onde faltou o sopro da respiração, um minúsculo sinal está suspenso, em cima. Sem outro suporte além deste, hesitante, o pensamento aventura-se»
Giorgio Agamben, "Ideia da prosa", Cotovia, 1999
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
o Mal-estar da Civilização #39
«Geralmente, há no facto de ser homem um elemento pesado, fastidioso, que é necessário superar. Mas este peso e esta repugnância jamais haviam sido tão penosos como desde Auschwitz. Como vós e eu, os responsáveis de Auschwitz tinham narinas, uma boca, uma voz, uma razão humana, podiam unir-se, ter filhos: como as Pirâmides ou a Acrópole, Auschwitz é o feito, é o signo do homem. A imagem do homem é doravante inseparável de uma câmara de gás...»
Georges Bataille, "Sartre"
sábado, 30 de novembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Imediatamente embora pouco a pouco #35
«Ficaram a entreolhar-se, como se cada um quisesse sorver com os olhos e guardar para sempre a imagem do outro. Havia coisas que ele precisava de lhe dizer antes de se despedirem, mas não podia dizê-las naquele lugar de recordações luminosas, de modo que deu meia volta, seguindo-a em silêncio até ao trenó.»
Edith Wharton, "Ethan Frome", Relógio d'Água, 1994
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Imediatamente embora pouco a pouco
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
espécie de oração particular #33
«Mas sobreviver não é bom. Creia-me. Não se sobrevive por inteiro, e a parte de nós que sobra, estiola-se num não saber que fazer do tempo, que não flui, e da aridez da existência, que estanca. É um não saber o que fazer de si mesmo.»
Elisa Lispector, "Corpo a corpo", Edições Antares, 1983
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
interpretose now #13
Jean-Paul Sartre
domingo, 24 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
o poeta sabe menos que o poema #11
«Amanhã é quinta-feira.
Se o mundo cumprir com suas obrigações,
depois de amanhã será sexta.
Se não, talvez mesmo domingo
e nunca ninguém saberá
onde se extraviou nossa vida.»
Piotr Sommer
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Até hoje foi sempre futuro #13
«Fomos os Portugueses intolerantes e fanáticos dos séculos XVI, XVII e XVIII: somos agora os Portugueses indiferentes do século XIX.»
«Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos. Não sejamos, à luz do século XIX, espectros a que dá uma vida emprestada o espírito do século XVI. A esse espírito moral oponhamos francamente o espírito moderno.»
«Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito. O seu nome é Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, torná-la impossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mãos das armas. Em si, é um verbo de paz, porque é o verbo humano por excelência.»
Antero de Quental, “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares”, Guimarães Editores, 2001
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Recomposições de Metades #5
«Carácter e inteligência: os dois pólos para abrilhantar as qualidades; um sem o outro é boa-sorte pela metade. Não basta ser inteligente, é necessária a predisposição do carácter. A pouca sorte do néscio é errar de vocação no estado, ocupação, vizinhança e amigos.»
Baltasar Gracián, "A Arte da Prudência", Edições Temas da Actualidade, 1994
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
Inaugurar sentimentos, o amor por vir #18
«Todos conheceis a intratável melancolia que se apodera de nós ao recordarmos tempos felizes. Estes, porém, pertencem irrevogavelmente ao passado, e deles nos separa a mais impiedosa das distâncias. Todavia, as imagens parecem refulgir ainda mais sedutoras no seu reflexo; pensamos nelas como quem recorda o corpo de uma mulher amada já falecida, que repousa nas profundezas da terra mas que, como uma miragem, com um esplendor mais alto e espiritual, nos assedia e faz estremecer. E nunca nos cansamos de percorrer com os dedos o que passou em sonhos sequiosos, em todos os seus pormenores e circunstâncias. Parece-nos então que não tomámos ainda a medida plena da vida e do amor, mas não há arrependimento que traga de volta a oportunidade perdida. Pudesse este sentimento servir-nos de lição, mesmo em cada instante de felicidade.»
Ernst Jünger, "Sobre as Falésias de Mármore", Vega, 1998
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sábado, 16 de novembro de 2013
A vida não é um sonho #33
Conservei falsos tesouros em armários vazios
Um navio inútil liga a minha infância ao meu fastio
Os meus jogos ao cansaço
A tempestade ao arco das noites em que estou só
Uma ilha sem animais aos animais que amo
Uma mulher abandonada à mulher sempre nova
Em veia de beleza
A única mulher real
Aqui e em qualquer parte
A oferecer sonhos aos ausentes
Sua mão estendida para mim
Reflecte-se na minha
Digo bom-dia sorrindo
Não se pensa na ignorância
E a ignorância reina
Sim eu tudo esperei
E desesperei de tudo
Da vida do amor do esquecimento do sono
Das forças das fraquezas
Já não me conhecem
Lobos são meu nome e minha sombra.
Paul Éluard, "Algumas Palavras (Antologia)", Publicações Dom Quixote, 1977
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
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