segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

Toda a humilhação leva à morte #17


«A solidão da obra – a obra de arte, a obra literária – desvenda-nos uma solidão mais essencial. Exclui o isolamento complacente do individualismo, ignora a busca da diferença; não se dissipa o fato de sustentar uma relação viril numa tarefa que cobre toda a extensão dominada do dia. Aquele que escreve a obra é apartado, aquele que a escreveu é dispensado. Aquele que é dispensado, por outro lado, ignora-o. Essa ignorância preserva-o, diverte-o, na medida em que o autoriza a perseverar.»

Maurice Blanchot, "O espaço literário", Rocco, 1987

sábado, 22 de dezembro de 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

o Mal-estar da Civilização #33


«Nunca viste uma criança conduzindo um carrito de mão, a descer uma encosta? Ela o guia; mas, se o abandona à inércia, será imediatamente arrastada. Assim é a civilização. Ela compõe-se dum conjunto de instrumentos de acção humana, ela é mesmo o depósito da cooperação social; mas se o espírito criador adormece, será o conflito social, a escravidão do fim humano aos meios materiais. Tudo isto é, no plano prático imediato, a repetição do que aconteceu no longínquo plano metafísico. O homem abandonou os instrumentos da sua acção cósmica, do poder criador que os gerou; eles o irão governar e toda a sua vida, perdendo o significado metafísico, o valor total, será dispersa em fragmentos de fingida realidade, pálido arremedo do seu maciço ser de liberdade.»

Leonardo Coimbra, "Obras de Leonardo Coimbra I", Lello & Irmão - Editores, 1983

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Teoria da Conspiração #40 (ou o universo que está em jogo)


«Há em mim qualquer coisa de fundamental que me impede de jogar, seja no que for; não é um raciocínio, ou, pelo menos, eu não o sinto como tal; é um impulso, um instinto, uma estrutura e creio que poderíamos discutir indefinidamente sobre se essa estrutura é também uma estrutura do mundo ou se é apenas uma estrutura minha, particular; é, por exemplo, particular, no sentido de que você a não tem, ou ainda a não tem: você é ainda uma solução, não sei em que sistema cristalizará. Mas pode não ser uma estrutura particular minha no sentido de que adiro por aí às raízes do mundo; quer dizer: penso sempre, porque o mundo pensa, não jogo porque na essência do universo não há jogos. Mas então porque joga você? O não haver jogo essencial no universo não quer dizer que não haja jogos aparentes; estamos aqui como em física nas leis estatísticas, ou como nas simetrias dos cristais, apenas aparente, porque o átomo, base fundamental, é, por ser um fenómeno, assimétrico.»

Agostinho da Silva, "Textos e Ensaios Filosóficos I", Âncora Editora, 1999

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

espécie de oração particular #22



«Que quero, pois? – Inspirar-te o desejo de soltares amarras, de fugir do porto, de te aventurares – se pertences à espécie dos que vieram ao mundo para singrar no oceano da procura livre, entre as rajadas das opiniões, com o horizonte limpo a todos os rumos e aberto à audácia da investigação.»

António Sérgio, "Ensaios - tomo II", Publicações Europa-América, 1954

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

o espanto da semelhança


©Friedkin, William;1973

domingo, 16 de dezembro de 2012

alegações finais #8


«Ao homem que, baseando-se neste relato, invente uma máquina capaz de reunir as presenças desconjuntadas, farei uma súplica: procure-nos a Faustine e a mim, faça-me entrar no céu da consciência de Faustine. Será um acto piedoso.»

Adolfo Bioy Casares, "A Invenção de Morel", Antígona, 2003

sábado, 15 de dezembro de 2012

Perguntas Abandonadas #25


Que posso conhecer? Que devo fazer? Que me cabe esperar? Que é o homem? 

Immanuel Kant (1724-1804)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

a poesia não me interessa #39


Se algo te envolve múrmuro, impalpável,
tal como neste muro o esplendor
das glicínias, é a hora dessa dor
de tu não seres riqueza inesgotável,

nem como as flores ou como a luz que avança
em raios, transformando-se, e agindo
em similares imagens todas vindo
e que uma só embriaguez entrança,

um só veludo aonde as coisas jazem
assim torrenciais e tão inteiras,
param as horas, traçam as fronteiras
e nessa angústia nada fazem.

Gottfried Benn, "50 poemas", Relógio D'Água, 1998

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ela tem os teus olhos #6


«É possível chegar-se a todos nós ao mesmo tempo, de noite ou de dia, de uma fonte de informação centralizada. É o que, de facto, acontece. Todos os dias, uma mão-cheia de pessoas fala e o resto escuta. Os meios cruéis e violentos para limitar a consciência, a experiência e o comportamento pertencem ao passado. Em muitos aspectos, a televisão torna desnecessários os golpes de Estado e as detenções em massa da minha imaginação. Podemos começar a perceber a irrelevância de tais actos, agora que um golpe mais subtil se aproxima.
Dá-se directamente no espírito, na percepção e nos modelos sociais de cada indivíduo. Um instrumento tecnológico torna-o possível, e talvez inevitável, enquanto impede a consciência de reparar no que está a acontecer.»

Jerry Mander, "Quatro Argumentos Para Acabar com a Televisão", Antígona, 1999

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012