sexta-feira, 12 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
ninguém é filho das ervas #8
It is as true to say that God is permanent and the World fluent, as that the World is permanent and God is fluent.
It is as true to say that God is one and the World many, as the world is one and God many.
It is as true to say that, in comparison with the World, God is actual eminently, as that, in comparison with God, the World is actual eminently.
It is as true to say that the World is immanent in God, as that God is immanent in the World.
It is as true to say that God transcends the World, as that the World transcends God.
It is as true to say that God creates the World, as that the World creates God.
Alfred North Whitehead
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
quero outra noite no fim do dia #10
dualismo Qualquer teoria que postule dois gêneros de coisas num certo domínio dualista. As teorias oposta, de acordo com as quais só há um gênero de coisa, são *monista. O exemplo mais famoso desta operação e o dualismo mentem e corpo, que se opõem ao manismo tanto sobre a forma do *idealismo (apenas mente) como, e mais freqüentemente sob a formada *fisicalismo (apenas corpo ou matéria).
Simon Blackburn, "Dicionário de Filosofia", Gradiva, 1997
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sábado, 6 de outubro de 2012
Até hoje foi sempre futuro #2
«não me iludo, a minha vida é a lógica secreta de um caminho único, viagem para aqui, centro do corpo tracejado por deserções, centro do mundo, centro de todas as pátrias, aqui a recordação recorda-me, sou por enquanto o conhecedor solitário da minha história, outros, a partir do crime ainda não cometido, possuirão o meu nome, as minhas confidências, os medos da minha identidade. E encontrar-me-ão. Estarei aqui para me encontrarem. Me dizerem então como me chamo. E sou culpado. Submetido ao sossego linear dos factos.»
Rui Nunes, "Enredos", Edições Rolim, 1987
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Chefe, precisamos de mentiras novas #10
«Se o desejo produz, produz real. Se o desejo é produtor, só o pode ser a realidade e da realidade. O desejo é esse conjunto de sínteses passivas que maquinam os objectos parciais, os fluxos e os corpos, e que funcionam como unidades de produção. O real resulta disso, é o resultado das sínteses passivas do desejo como autoprodução do inconsciente. Ao desejo não falta nada, não lhe falta o seu objecto. É antes o sujeito que falta ao desejo, ou o desejo que não tem sujeito fixo; é sempre a repressão que cria o sujeito fixo. O desejo e o seu objecto são uma só e mesma coisa: a máquina, enquanto máquina de máquina. O desejo é máquina, o objecto do desejo é também máquina conectada, de modo que o produto é extraído do produzir, e qualquer coisa no produto se afasta do produzir, que vai dar ao sujeito nómada e vagabundo um resto.»
Gilles Deleuze e Félix Guattari, "Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia", Assírio & Alvim, 1996
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
a temperatura do corpo #20
«Fôssemos apenas um corpo e seguramente estaríamos em equilíbrio com a natureza.
Mas a nossa alma está do mesmo lado que nós na balança.
Leve ou pesada, não sei.
Memória, imaginação, afectos imediatos tornaram-na mais pesada; todavia temos a palavra (ou qualquer outro meio de expressão); cada palavra que pronunciamos torna-nos mais leves. Na escrita, ela passa mesmo para o outro lado.
Leves ou pesados, não sei de facto, mas precisamos de um contrapeso.»
Francis Ponge, "Alguns poemas", Cotovia, 1996
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Teoria da Conspiração #38 (ou as Confissões à boca cheia)
«Bem vê, senhor, é melhor não contrariar as minhas ideias. Não o tolero. Aceito as suas, unicamente para lhe ser agradável. Guarde-as, rumine-as, digira-as e expulse-as se não lhe agradarem. De uma maneira geral, os homens julgam, desde há dois séculos e mesmo mais, que são os melhores do mundo. O non plus ultra. O.K. É lá com eles. Quanto a mim, estou convencido do contrário, pois somos todos filhos do animal pelo simples facto de sermos homens. Há muito tempo que o homem provou a sua domesticação da natureza à força de irritabilidade, de ingratidão, de instintos assassinos e de golpes, de golpes de cacete, de pedras, de fogo, de machetes e também de crimes impunes e da escravização dos outros. Qualquer homem, pelo simples facto de o ser, é filho da puta. Que os outros não pensem da mesma maneira, nem sequer o discuto. Para mim, o maior dos imbecis - por mais suiço que seja - é Jean Jacques Rousseau. Com as ideias que tenho qual é a admiração por eu ser um gajo porreiro? Que tenham morto o Senhor Jesus, em contrapartida, não é de admirar: não devia um tostão a ninguém.»
Max Aub, "Crimes eXemplares", Antígona, 2001
terça-feira, 2 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
ninguém é filho das ervas #7
«Tua vida é adequada ao sentido que lhe queres dar; não consegues sair do estado de leitura constante, flutuante e sobrevivente.»
Maria Gabriela Llansol
sábado, 29 de setembro de 2012
espécie de oração particular #20
«Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho.»
Fernando Pessoa, "Odes de Ricardo Reis", Ática, 1994
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
K, o elemento estranho da tabela literária #3
«Continuo a não compreender que todo aquele que seja capaz de escrever possa objectivar no seu sofrimento o sofrimento, a ponto de eu, por exemplo, na infelicidade, talvez ainda com a fronte a arder em infelicidade, me possa sentar e dizer a alguém por escrito: sou infeliz.»
Franza Kafka, "Diários", Difel, 2001
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
A vida não é um sonho #23
«Podia apenas dizer que ele a matou e se matou a seguir, e estaria a contar a história tal e qual aconteceu, mas esta seria sem dúvida uma história muito mal contada, ainda que a verdade seja tão-somente que ele a matou, para a amar ainda mais, e se matou a seguir, para que o amor que os unia vivesse para sempre.»
«Planeou matar a namorada e suicidar-se em seguida, mas as coisas saíram-lhe ao contrário. O funeral terá lugar amanhã.»
Luís Ene, "ÍTACA, Cadernos de ideias textos & imagens", Coisas de Ler, nº1 Fevereiro de 2010
«Planeou matar a namorada e suicidar-se em seguida, mas as coisas saíram-lhe ao contrário. O funeral terá lugar amanhã.»
Luís Ene, "ÍTACA, Cadernos de ideias textos & imagens", Coisas de Ler, nº1 Fevereiro de 2010
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
a poesia não me interessa #35
Irmão,
nada é eterno, nada sobrevive.
Recorda isto, e alegra-te.
A nossa vida
não é só a carga dos anos.
A nossa vereda
não é só o caminho interminável.
Nenhum poeta tem o dever
de cantar a antiga canção.
A flor murcha e morre;
mas aquele que a leva
não deve chorá-la sempre...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Chegará um silêncio absoluto,
e, então, a música será perfeita.
A vida inclinar-se-á ao poente
para afogar-se em sombras doiradas.
O amor há-de ser chamado do seu jogo
para beber o sofrimento
e subir ao céu das lágrimas ...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Apanhemos, no ar, as nossas flores,
não no-las arrebate o vento que passa.
Arde-nos o sangue e brilham nossos olhos
roubando beijos que murchariam
se os esquecêssemos.
É ânsia a nossa vida
e força o nosso desejo,
porque o tempo toca a finados.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Não podemos, num momento, abraçar as coisas,
parti-las e atirá-las ao chão.
Passam rápidas as horas,
com os sonhos debaixo do manto.
A vida, infindável para o trabalho
e para o fastio,
dá-nos apenas um dia para o amor.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Sabe-nos bem a beleza
porque a sua dança volúvel
é o ritmo das nossas vidas.
Gostamos da sabedoria
porque não temos sempre de a acabar.
No eterno tudo está feito e concluído,
mas as flores da ilusão terrena
são eternamente frescas,
por causa da morte.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.
Rabindranath Tagore, "O Coração da Primavera", Editorial A. O., 1981
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
o Mal-estar da Civilização #32
«No asco aos animais, a sensação dominante é o medo de, pelo contacto, ser reconhecido por eles. Aquilo que ao homem profundamente repugna é a consciência obscura de que em si há algo vivo que é tão pouco diferente ao animal asqueroso, que a pessoa poderia vir a ser reconhecida por ele. Todo o asco é primordialmente um asco ao contacto. E o próprio autodomínio só ultrapassa este sentimento com movimentos repentinos e excessivos: aquilo que provoca o asco é vigorosamente enlaçado, devorado, enquanto a zona de delicado contacto epidérmico permanece tabu. Só assim se pode explicar o paradoxo do imperativo moral que exige do homem, a um só tempo, a superação e o mais subtil desenvolvimento do sentimento de repulsa. Ele não pode negar o parentesco animal com a criatura, a cuja alusão responde com a repulsa: tem de tornar-se senhor dela.»
Walter Benjamin, "Rua de Sentido Único e Infância em Berlim por Volta de 1900", Relógio D'Água, 1992
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