terça-feira, 13 de março de 2012

Retrato de Família #18


Walter B. Karamazov (1892-1940)

«As citações são nas minhas obras como ladrões de estrada, 
que fazem um ataque armado e que aliviam um ocioso das suas convicções»

segunda-feira, 12 de março de 2012

Por vocações de Leitura #5 (capuchinho vermelho)

Anaïs Nin

Bram Stoker

Malcolm Lowry

Saint-Exupéry

Edgar Allan Poe

D. H. Lawrence

domingo, 11 de março de 2012

espécie de oração particular #14


«Serás quem eu quiser. Farei de ti um ornamento da minha emoção posta onde quero, e como quero, dentro de mim. Contigo não tens nada. Não és ninguém, porque não és consciente; apenas vives.»
    
Fernando Pessoa, "Livro do Desassossego", Relógio D'Água, 2008 

sábado, 10 de março de 2012

Dicionário das causalidades #9


I


Importar-me

«- Mitch, perguntaste sobre o importar-me com pessoas que nem sequer conheço. Mas posso contar-te a coisa que mais tenho aprendido, com esta doença? A coisa mais importante na vida é aprender como dar amor e como deixá-lo entrar.
A sua voz baixou para um sussurro.
- Deixa-o entrar. Nós pensamos que não mercemos amor, pensamos que, se o deixarmos entrar, nos tornamos moles demais. Mas um homem sábio chamado Levine disse bem "O amor é o único acto racional".»

 Mitch Albom, "Às Terças com Morrie", Sinais de Fogo, 2006 

sexta-feira, 9 de março de 2012

regular o passo


©Garrel, Philippe;2005

quinta-feira, 8 de março de 2012

dedicatória #14*


* dedicada a todas e a nenhuma.

quarta-feira, 7 de março de 2012

o homem de quarta-feira #42



«I don't know what one means by happy
I'm happy spasmodically
If I eat a chocolate turtle I'm happy
When the box is empty I'm unhappy
When I get another box
I'm happy again
Happiness is a word for amatures
» 



Gordon Gano

terça-feira, 6 de março de 2012

Chamada a pagar no destinatário #10


«C'est pour moi, un amateur du Portugal»

segunda-feira, 5 de março de 2012

Imediatamente embora pouco a pouco #15







«'E já que navego sobre o vasto mar e desfraldei as velas todas
aos ventos, nada há no mundo todo que permaneça o mesmo.
Tudo flui, e toda a imagem que se forma é passageira.
Até o próprio tempo escorre, num movimento incessante,
tal como o rio. Na verdade, nem imobilizar-se pode o rio
nem veloz instante. Tal como a onda é impelida pela onda, 
e a anterior, empurrada pela seguinte, empurra a anterior a si,
assim, deste modo foge o tempo, e deste modo prossegue
e é sempre novo. Pois o que foi antes fica deixado para trás 
e torna-se o que não era, e todos os instantes são renovados.»

Ovídio, "Metamorfoses, Livro XV, 176-185", Livros Cotovia, 2010

domingo, 4 de março de 2012

Teoria da Conspiração #29 (ou o Precioso Consolo desta Cegueira)



«O livro está aberto e há demasiada luz.
Tudo o que escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformar a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
»


António Ramos Rosa, "Antologia Poética", Publicações Dom Quixote, 2001

sábado, 3 de março de 2012

Chefe, precisamos de mentiras novas #5


"O homem rico (sem pretender aqui fazer comparações invejosas), esse não pode deixar de estar sempre vendido à instituição que o enriquece. Falando em termos absolutos, a muito dinheiro corresponde escassa virtude; porque o dinheiro é um intermediário entre o homem e os seus objectivos, é através do dinheiro que este os adquire, e alcançá-los deste modo não é grande virtude. O dinheiro silencia muitas perguntas que o homem de outro modo seria obrigado a fazer; a única pergunta, difícil mas supérflua, que o dinheiro formula é: como gastá-lo?... Deste modo, carece de base moral. As oportunidades de viver diminuem na proporção em que aumentam os chamados "meios". O melhor que um homem pode fazer em prol da sua cultura, quando enriquece, é esforçar-se por realizar os projectos que alimentava quando era pobre."

Henry David Thoreau, "A Desobediência Civil; Defesa de John Brown", Antígona, 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

explicando melhor #3




- Quando nos questionamos demasiado é porque não estamos a sentir... acontece e ponto. Mas depois há a exigência dos curiosos e insatisfeitos. O Kar tem um gráfico simples? - perguntou papasdecarolo.

- Não questiono, sigo pistas - demonstrou num gráfico o Kar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

esquece tudo o que te disse #19


Um bom homem é difícil de encontrar...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

a temperatura do corpo #11


«Queremos a presença das coisas. É tão simples, isto: queremos as coisas próximas, íntimas, como peças de roupa pousadas na cadeira ao nosso lado. Próximo e íntimo, desse mesmo modo, o que nos pertence ainda mais de perto: a evidência viva do mundo. E toda inteira, já agora. Queremos aberta a porta do ser - que há-de ter certamente uma porta. Vendo bem, porque não haveria essa porta? Há, em certos dias, em certos lugares do mundo, uma tão certa harmonia entre a temperatura do corpo e a do ar que quase se perde a noção de entre uma coisa e outra ser a pele uma fronteira. O ar parece então levemente texturado, suave como algodão em rama. Dir-se-ia que o trazemos vestido. É qualquer coisa como isto, o que queremos. Algo de que esse envolvimento fosse a imagem ou - melhor ainda - simplesmente um caso muito concreto.»


Rosa Maria Martelo, "A Porta de Duchamp", Averno, 2009

domingo, 26 de fevereiro de 2012

o Mal-estar da Civilização #24



«Dancei num matadouro, como se o sangue de todos os animais que à minha volta pendiam degolados fosse o meu. Dancei até que em mim houvesse espaço para um poema de que todas as imagens depois fossem desertando.

A luz que desse sangue irradiava, como se nele o sol tivesse mergulhado e os raios nele se houvessem diluído, atravessava-me os poros e fazia-me cantar o coração. Tratava-se de uma luz que nada tinha a ver com a piedade ou a esperança, mas cuja música, sem me passar pelos ouvidos, ia direita ao coração, que no dos animais acabados de abater por momentos encontrava um espelho ainda quente, tão diverso da algidez que habitualmente neles impera.

Só num espelho assim saído há pouco das entranhas dum ser vivo se desenha a nossa verdadeira imagem, ao invés da frigorífica mentira onde é comum a vermos esboçar-se. Só esse espelho capta a espessa luz em que parecem ter-se consumido os próprios astros, essa luz que com os objetos que ilumina se confunde numa única substância capaz de arrancar-nos à treva e de dar cor à santidade.

A luz do néon, ante aquela de que se esvazia o coração dum porco, é uma metáfora de impacto reduzido. A luz que das vísceras emana é a de deus, aquela que, por uma excessiva dose de trevas misturada, mais que qualquer outra se aproxima da de deus, que resplandece nas carcaças em costelas onde é fácil pressentir as incipientes asas de algum anjo.

O berro do animal que qualquer faca anónima remete à condição daqueles cujo sangue se escoe ao nosso lado é o único som a que dançar merece a pena. O dia declinou-lhe nas entranhas, quantas manhãs as percorreram absorvidas pelas aberturas dos seus olhos mais não são agora do que um rastro de lume sobre a lâmina e nos baldes onde pinga, reduzidas a um furtivo clarão de dignidade de que todos de repente nos sentimos órfãos.»



Luís Miguel Nava, "Poesia completa, 1979-1994", Publicações Dom Quixote, 2002

sábado, 25 de fevereiro de 2012

o combate com o demónio #4


Camille Claudel (1864-1943)


«Hembra que entre mis muslos callabas
de todos los favores que pude prometerte
te debo la locura.»


Leopoldo María Panero

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Orelhas de Elefante #24


Sharon Van Etten, "Tramp", Jagjaguwar, 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

baile de máscaras 2012 #5 (ou as cinzas)


obrigado a todos pela participação.