quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Momento Pergaminho #8
«Conhecer-se a si mesmo significa criar-se a si mesmo. O espirito é individual, o espirito de si.»
«Nós nos tornamos universais, mas, ao mesmo tempo, guardamos nossas raízes na nossa terra original. Esquecer-se de si é criar-se a si mesmo.»
Yoka Daïshi, "Shodoka: O Canto do Satori Imediato", Editora Pensamento, 2000
domingo, 15 de janeiro de 2012
Imediatamente embora pouco a pouco #14
«Mas não há como evitá-lo: com a idade cedemos ao costume, precisamos disso, e o motor circular de um dia extenso nos traz de volta ao mesmo jardim. Nele, todas as flores fomos nós que plantamos, todos os bancos têm nosso nome e a sombra da catedral nosso próprio formato. Não passamos então de tristes autores de nossas vidas, sobre a qual exercemos controle minucioso e despótico - herdeiros de dias antigos, proprietários cuja escritura foi lavrada com nosso medo e tédio. Em certa medida, vamos nos parecendo cada vez mais com a matéria inerte, e não com corpos elásticos feitos para o banho e para a tarde vermelha. Nosso pulmão vai se mineralizando, temos a constância dos eventos naturais (saímos de casa às seis horas, somos alérgicos a chocolate, ouvimos tangos, apenas tangos), e uma ferida azul escura vai se cravando em nossa canela, nossa espinha verga, nossos olhos perdem brilho e transparência, como leite quando talha. Então transformamo-nos num sistema circular de tiques, opiniões, fixações coletivas, cacoetes socializados, imbecilidades consentidas.»
Nuno Ramos, "Ó", Cotovia, 2010
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Imediatamente embora pouco a pouco
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Não respire... (ou leituras em apneia) #4
«Estamos na última. Comemos os nossos cavalos, os nossos pássaros, ratos e mulheres. E temos fome ainda.
Os assaltantes tapam as ameias. São mais de quatro miríades; nós, menos de quatrocentos.
Não podemos já esticar o arco, nem gritar-lhes insultos; só podemos ranger os dentes, ardendo por morder-lhes.
Estamos mesmo na última. Se se dignar ler isto que é escrito a sangue, que o Imperador não tenha censuras para os nossos corpos mortos,
Mas que não invoque os nossos espíritos - pois queremos ser demónios, demónios dos piores:
Por vontade ainda de morder e devorar aquela gente!»
Victor Segalen, "Estelas e Terra Amarela", Cotovia, 1996
Pode respirar.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
a temperatura do corpo #10
«Foi quando a mina alvejou a estrada que Zeca realizou que tinha morrido com ela. Esse conforto demorou um nada de pensar. Uma agulha de som furou-lhe os ouvidos por dentro e um ciclone esvaziou o chão, levantou-lhe os pés e desembainhou-lhe a espinha entre a nuca e o peito. Com este açoite, a dor roubou-lhe a sensação do corpo. Viu o céu rebolar no ar, em trambolhões sem cor, e estatelar-se na areia. O mundo apagou-se no mesmo instante. Nem o pânico chegou a tempo.»
Pedro Rosa Mendes, “Baía dos Tigres”, Publicações Dom Quixote, 2005
domingo, 11 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Perguntas Abandonadas #15
«Afastada a justiça, o que são, na verdade, os reinos senão grandes quadrilhas de ladrões? Que é que são, na verdade, as quadrilhas de ladrões, senão pequenos reinos?»
Santo Agostinho (354-430)
Santo Agostinho (354-430)
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
o homem de quarta-feira #41
Sonâmbulos,
Porque dormir agora se amanhece devagar? Ainda é belo sentir as palmas a bater.
O que seria desta rua se privada do que inesperadamente nos atrai? Nada foi rasgado.
Todas as nossas sombras desejam descer, mas só o chão sabe quando é tempo de errâncias.
domingo, 4 de dezembro de 2011
é meia-noite no fim do céu #8
«podeis aprender que o homem
é sempre a melhor medida.
Mais: que a medida do homem
não é a morte mas a vida.»
é sempre a melhor medida.
Mais: que a medida do homem
não é a morte mas a vida.»
João Cabral de Melo Neto, Paisagem com Figuras, 1956
sábado, 3 de dezembro de 2011
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