sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
A vida não é um sonho #12

«Era uma vez um surdo completamente surdo, um paralítico completamente paralítico e um calvo completamente calvo. Viviam juntos e de tanto se aborrecerem decidiram partir. A fim de alcançarem o ponto mais distante do mundo puseram-se a caminho a pé, ou seja: o paralítico ia deitado numa maca, porque era tão completamente paralítico que nem sequer se podia sentar, e o calvo e o surdo transportavam a maca. O surdo ia à frente.
A certa altura da viagem foi preciso atravessar uma floresta. Quanto mais os três homens penetravam nela mais o mato era denso e a folhagem cerrada: Por causa disso e do anoitecer, escurecia.
Iam a meio de uma clareira quando o surdo disse: "Poisa a maca." E deixou de andar, o que obrigou o calvo a parar também. O calvo e o surdo puseram a maca no chão.
E o surdo disse assim: "Esta floresta está cheia de assassinos e malandros. Há já um bom bocado que oiço a restolhada deles." O calvo respondeu: "Estou em crer nisso, porque sinto que os cabelos se me estão a pôr em pé." Então o calvo e o surdo desataram a correr, seguindo o trilho que tinham aberto no mato.
O paralítico ficou sozinho na clareira. E ele pensou: "Não gosto de estar nesta floresta. Parece-me que vou mas é fugir daqui."
Nuno Bragança, "Directa", Dom Quixote, 1995
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Imediatamente embora pouco a pouco #12

«Instrutivas são as existências em que a felicidade se vai e depois regressa; o homem entra constantemente em contacto com o universo. Estas reviravoltas não são raras na vida do jogador, mas podem ser igualmente observadas nos príncipes e nos soldados. Ainda assim, tais curvas num mundo, em que frequentemente apenas um passo em falso chega para causar ruína, permite imaginar a existência de uma inteligência fortemente marcada e rítmica. Do mesmo modo, sente-se nas pontas dos dedos, e, com efeito, tem-se consciência de que mãos finas e bem contornadas são frequentemente um indício de uma natureza feliz. Existe uma ciência do momento favorável; quem quiser ter uma ideia, deve utilizar o compêndio de Casanova.»
Ernst Jünger, "O Coração Aventuroso", Cotovia, 1991
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Imediatamente embora pouco a pouco
segunda-feira, 13 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Chefe, precisamos de mentiras novas #2

Guy Debord, "A Sociedade do Espectáculo", Edições Antipáticas, 2010
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sábado, 4 de junho de 2011
Teoria da Conspiração #26 (ou a Máquina do Estado Novo)

Ludwig Wittgenstein, "Tratado Lógico-Filosófico. Investigações Filosóficas", Fundação Calouste Gulbenkian, 1995
sexta-feira, 3 de junho de 2011
diário dos mesmos pesares #9

Don Juan
Tobias Schneebaum, "Lá onde o rio te leva", Antigona, 1990
quinta-feira, 2 de junho de 2011
espécie de oração particular #10
quarta-feira, 1 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
a poesia não me interessa #26

à tua frente, se senta a escutar
as tuas palavras doces e o teu riso
encantador.
É isto que provoca um tumulto
no meu peito. Ao ver-te apenas,
a minha voz treme, a minha língua
paralisa-se.
Logo um delicado fogo percorre
os meus membros; os olhos ficam
cegos e os meus ouvidos
ressoam.
O suor invade o meu corpo; percorre-me
uma ternura. Empalideço mais
que a erva seca e vejo aproximar-se
a morte.
William Carlos Williams, "Paterson", Relógio d'Água, 1998
segunda-feira, 30 de maio de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
a temperatura do corpo #8

«Eu sou o anjo do desespero. Com as minhas mãos distribuo o êxtase, o adormecimento, o esquecimento, o gozo e dor dos corpos. A minha fala é o silêncio, o meu canto o grito. Na sombra das minhas asas mora o terror. A minha esperança é o último sopro. A minha esperança é a primeira batalha. Eu sou a faca com que o morto abre o caixão. Eu sou aquele que há-de ser. O meu voo é a revolta, o meu céu o abismo de amanhã.»
Heiner Müller, "O Anjo do Desespero", Relógio d'Água, 1997
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Perguntas Abandonadas #12
«Aonde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faz-mo saber, se tens inteligência.»
(Job 38:4)
Bíblia Ilustrada, "Vol. 4, 1º Crónicas - Job", Assírio & Alvim, 2007
quarta-feira, 25 de maio de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
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