Joel Serrão (1919-2008)
terça-feira, 3 de maio de 2011
Perguntas Abandonadas #11
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Dicionário das causalidades #6

F
Falar
«Existem incompatibilidade forçadas: o literato não quer ouvir falar da sabedoria oriental; o insatisfeito que tenta atingir a sabedoria oriental não quer ouvir falar de literatura; o erudito não quer ouvir falar de experiências não livrescas; quem faz experiências não livrescas não quer ouvir falar de filologia; quem confia nas demonstrações da ciência não confia nas demonstrações da mística; quem exalta a mística sente aversão pelas pesquisas experimentais; quem se centra no moderno, vê a barbárie no passado; quem se centra no antigo vê a degeneração no presente.»
Roberto Calasso, "Os Quarenta e Nove Degraus", Cotovia, 1998
domingo, 1 de maio de 2011
Retrato de Família #16

Rainer Maria R. Karamazov (1875-1926)
«Não será tempo de estas dores antiquíssimas se tornarem
finalmente fecundas? E não será tempo de nós,
os que amamos, nos libertarmos de quem amamos, como trémulos vencedores?
De sermos como a flecha que, vencendo o arco, se solta, toda ímpeto,
passando a ser mais do que ela própria? Pois em nenhum lugar se permanece imóvel.»sábado, 30 de abril de 2011
Ela tem os teus olhos #1

Dá-se directamente no espírito, na percepção e nos modelos sociais de cada indivíduo. Um instrumento tecnológico torna-o possível, e talvez inevitável, enquanto impede a consciência de reparar no que está a acontecer.»
Jerry Mander, "Quatro Argumentos Para Acabar com a Televisão", Antígona, 1999
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Momento Pergaminho #6
quinta-feira, 28 de abril de 2011
a temperatura do corpo #7

Então o que é? perguntei apavorado.
Despertou em mim esse instinto, disse ela tranquilamente como que reflectindo; talvez jamais visse a luz do dia se não o tivesse despertado, desenvolvido e agora ele atingiu uma força irresistível que enche meu ser, que me proporciona o prazer mais desejável e apesar disso tu querias que recuasse, tu, mas és tu um homem?»
Leopold von Sacher Masoch, “A Vénus de Kazabaika”, Edições Afrodite,1966
quarta-feira, 27 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
o combate com o demónio #2
domingo, 24 de abril de 2011
Corpus Christi Carol #4

Jean Meslier, "Memória", Antígona, 2003
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
a poesia não me interessa #24

para saber se é essa a sua vocação,
basta olhá-lo nos olhos:
um cozinheiro apurando um molho,
um cirurgião abrindo a pele,
um escriturário preenchendo uma relação
de embarque, têm a mesma expressão
distraída, embevecidos na sua tarefa.
Que bela é essa devoção
do olho pelo objecto.
Ignorar a deusa sedutora,
abandonar os sacrários magníficos
de Rea, Afrodite, Demeter, Diana,
preferir rezar a S. Focas,
Santa Bárbara, S. Saturnino,
ou outro padroeiro qualquer,
de cujo mistério se seja merecedor,
que passo gigantesco foi dado.
Deveria haver monumentos e odes
aos heróis desconhecidos que começaram,
a quem arrancou as primeiras faíscas
da pederneira e esqueceu o jantar,
ao primeiro coleccionador de conchas
que ficou celibatário.
Se não fossem eles, ode estaríamos?
Ainda ferozes, sem hábitos caseiros,
errando através das florestas,
com nomes sem consoantes,
escravos da Dama gentil, sem
noções da civilidade
e hoje à tarde, para esta morte,
não haveria agentes funerários.»
W.H. Auden, "O Massacre dos Inocentes", Assírio & Alvim, 1994
quinta-feira, 21 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
o homem de quarta-feira #39

Walter Benjamin, "Imagens de Pensamento", Assírio & Alvim, 2004
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Teoria da Conspiração #23 (ou o Fundo Mitológico da Ironia)

«No início havia um deus da noite e da tempestade, um ídolo negro sem olhos, nu e coberto de sangue. Mais tarde, nos tempos da república, havia muitos deuses e suas esposas e crianças, camas que rangiam e raios que explodiam de modo inofensivo. No fim apenas neuróticos supersticiosos traziam nos bolsos pequenas estátuas de sal, representando o deus da ironia. Nessa altura não havia um deus que sobressaísse.
E então vieram os bárbaros. Também eles tinham em grande conta o deus da ironia. Esmagá-lo-iam com os calcanhares e usá-lo-iam para decorar os seus manjares.»
domingo, 17 de abril de 2011
Chefe, precisamos de mentiras novas #1

«- Que balbúrdia é esta?, perguntou o Chefe. Eu estava desesperado, mas tranquilo. Que vêm agora vocês...?!
- Os economistas dizem que é preciso cortar ainda mais nas despesas! - disseram de uma vez os Auxiliares, com respiração ofegante.
- Quais despesas?
- As dos outros!
- Ah, as dos outros! - Exclamou o Chefe, aliviado.
- Sim, Chefe, mas tal não nos deve descansar. Porque os economistas (e esta palavra era dita como se existisse receio de a repetir em voz alta) quando dizem que é urgente cortar as despesas dos outros não deixam de olhar para nós. E fixamente.
- Para nós?! - exclamou o Chefe, indignado. - Mas nós não somos os outros!
Subitamente todos se calaram, ao mesmo tempo, como se tivessem combinado.»
Gonçalo M. Tavares, "O Senhor Kraus", Caminho, 2005
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
o Mal-estar da Civilização #20

Fiódor Dostoiévski, "Cadernos do Subterrâneo", Assírio & Alvim, 2000
quinta-feira, 14 de abril de 2011
K, o elemento estranho da tabela literária #1

Franz Kafka, "A Metamorfose", Quasi Edições, 2008
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
a vida não é um sonho #9

Nuno Ramos, "Ó", Cotovia, 2010
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