quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Retrato de Família #15

Hermann B. Karamazov (1886-1951)
«Quem vai sobre as ondas do mar não tem objectivo e não pode cumprir-se: está encerrado em si mesmo. Nele o possível dormita. Quem quer que seja que o ame só o pode amar pelo que ele promete, pelo que repousa nele, não pelo que atingiu ou pelo que atingirá. Por isso o homem da terra firme ignora o amor e toma por amor a ansiedade em que vive.»
terça-feira, 5 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
espécie de oração particular #8
Ralph Waldo Emerson, "A Natureza", Sinais de Fogo, 2001
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Dicionário das causalidades #5

E
Exercitação
«Difícil é que o raciocínio e o ensino, ainda que de bom grado lhes demos fé, sejam assim assaz poderosos para nos encaminharem à acção, se, ademais, não exercitarmos e formarmos pela experiência a alma ao andamento a que a pretendemos acomodar: de outro modo, quando ela estiver na iminência de agir, sem dúvida que se sentirá embaraçada. Eis porque, entre os filósofos, os que quiseram atingir uma maior excelência, receando que ela os surpreendesse inexperientes e novatos no combate, não se contentaram em esperar no remanso do abrigo pelos rigores da Fortuna, antes, foram ao seu encontro e deliberadamente se expuseram à prova das dificuldades: uns abandonaram os bens materiais para se exercitarem na pobreza voluntária; outros andaram à cata de fadigas e buscaram uma penosa austeridade de vida para se endurecerem contra a dor e o sofrimento; outros ainda, privaram-se das mais preciosas partes do corpo, tais como os olhos e os membros genitais, não fosse a sua utilização, demasiado prazenteira e amena, relaxar e amolecer a firmeza da sua alma. Porém, a morrer, a maior tarefa que temos de fazer, a exercitação não nos pode ajudar. Podemos, pela usança e pela experiência, fortalecermo-nos contra as dores, a vergonha, a indigência e outros acidentes que tais, mas, quanto à morte, só a podemos ensaiar uma vez - quando a ela chegarmos, todos somos aprendizes.
Houve na Antiguidade homens tão exímios a gerir o seu tempo que, na própria morte, tentaram degustá-la e saboreá-la, e que entesaram o espírito para ver o que é que, afinal, era o passamento, mas não voltaram cá para nos dar novas»
Montaigne, "Ensaios", Relógio d'Água, 1998
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Toda a humilhação leva à morte #11

«Na verdade, por minúscula que seja, uma obra de arte acrescenta ao que já é qualquer coisa que não estava lá. O que não deveria normalmente acontecer causa embaraço. Mesmo uma tradição que reaparece pode ser intrusa e por assim dizer perturbadora. Um segundo ponto torna a arte embaraçosa: não só aumenta o que é imprevisível, como odeia a morte. Os artistas são assassinos da morte. Neste sentido, é normal serem castigados pelos que tem como profissão tanto administrá-la, como aumentá-la.»
Pascal Quignard, "As Sombras Errantes", Gótica, 2003
quinta-feira, 31 de março de 2011
Perguntas Abandonadas #10
«O ser é suspeito. O que dizer então da "vida", que consiste no desvio e no envilecimento do ser?»
quarta-feira, 30 de março de 2011
Orelhas de Elefante #17
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
teoria da Conspiração #22 (ou a Trama Broncodilatadora)

«- Serias um amor, querida Chloé, se as tomasses!
- Eu bem quero - disse Chloé - mas tens de me beijar.
- Combinado - disse Colin. - Não ficas aborrecida por beijares um marido desprezível como eu?...
- É verdade que não és bonito - disse Chloé, arreliadora.
- Não tenho culpa.
Colin baixou o nariz.
- Não durmo o bastante - continuou.
- Beija-me, Colin querido, sou muito má. Dá-me duas pílulas.
- És louca - disse Colin. - Só uma. Vá, engole...
Chloé fechou os olhos, empalideceu e levou a mão ao peito.
- Já está - disse com esforço. - Vai recomeçar...»
Boris Vian, "A Espuma dos Dias", Relógio d'Água, 2001
domingo, 27 de março de 2011
a temperatura do corpo #6

Robert Louis Stevenson, "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde e outros contos", Assírio & Alvim, 2007
segunda-feira, 21 de março de 2011
a poesia não me interessa #22

«A boca de uma rapariga que tinha jazido muito tempo entre canaviais
estava toda roída.
Quando lhe abriram o peito, o esófago estava todo esburacado.
Finalmente, num recanto sob o diafragma,
encontraram um ninho de jovens ratazanas.
Um dos irmãozinhos estava morto.
Os outros viviam de fígado e de rins,
bebiam o sangue frio, e aqui
tinham passado uma bela juventude.
Bela e rápida foi também a sua morte:
Lançaram-nos todos à água.
Ah, como os pequenos focinhos chiavam!»
Gottfried Benn in "A Alma e o Caos - 100 poemas expressionistas", selecção e tradução de João Barrento, Relógio D' Água, 2001
quinta-feira, 3 de março de 2011
o homem de quarta-feira #38
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
a temperatura do corpo #5

Tonino Guerra, "Histórias para uma noite de calmaria" Assírio & Alvim, 2002
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
diário dos mesmos pesares #6

Robert Walser, "Jakob van Gunten", Relógio d´Água, 2005
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
a vida não é um sonho #8

- Auschwitz.
Ninguém tinha ouvido falar daquele nome.
O comboio não voltava a partir. O meio-dia passou lentamente. Depois, as portas do vagão deslizaram. Podiam sair dois homens para procurar água.
Quando voltaram, contaram que tinham conseguido saber, em troca de um relógio de ouro, que se tratava do término. Íamos desembarcar. Aqui existia um campo de trabalho. Com boas condições. As famílias não seriam separadas. Somente os jovens iriam trabalhar nas fábricas. Os velhos e os doentes tratariam da terra.
O barómetro da confiança deu um salto. Era a súbita libertação de todos os terrores das noites anteriores. Demos graças a Deus.»
Elie Wiesel, "Noite", Texto Editora, 2003
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Retrato de Família #14
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
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