sábado, 22 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
o Mal-estar da Civilização #18
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Imediatamente embora pouco a pouco #8

«Não digas muitas vezes que tens razão, professor!
Deixa que o aluno o reconheça.
Não puxes de mais pela verdade:
Ela não aguenta.
Ouve quando falas!»
Bertolt Brecht (1898-1956)
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Imediatamente embora pouco a pouco
quarta-feira, 19 de maio de 2010
o homem de quarta-feira #35

- Deixe-me! - disse ele. - Eu não sei quais são as suspeitas que tem contra mim, mas eu estou inocente. - Repetiu: - Claro que eu não sei do que suspeita de mim.
- Aqui não se trata de suspeitar de alguém ou de ser inocente. Peço-lhe que não diga isso outra vez. Somos estranhos; o nosso conhecimento é tão velho como os degraus da igreja são altos. O que aconteceria se começássemos imediatamente a discutir a nossa inocência?
- É exactamente o que eu penso, - disse ele - Já agora o senhor disse "A nossa inocência". Por acaso está a sugerir que se eu tivesse provado a minha inocência, também teria de provar a sua? É isso que quer dizer?»
Franz Kafka, "Descrição de uma Luta", Coisas de Ler, 2004
terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
espécie de oração particular #6

«Permitindo-se hoje, não sei por que erro, o acesso ao microfone de um poeta que já foi um desses tais, quero voltar a afirmar a minha ternura pelos jovens tipos sem piedade. Não tenho ilusões nenhumas. Falo para o vazio e no escuro, mas mesmo que o tenha feito só para mim, quero insultar uma vez mais os que insultam.»
Jean Genet, "A Criança Criminosa", hiena editora, 1988
domingo, 16 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Teoria da Conspiração #18 (ou a Solidão mais longe possível)

Samuel Beckett, "O Inominável", Assírio & Alvim, 2002
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Orelhas de Elefante #15
Porque há musicas de outras dimensões.

Bernardo Sassetti Trio - "Motion", Clean Feed, 2010
«Portanto se vai ser uma viagem que essa viagem seja longa
uma viagem verdadeira da qual não se regressa
repetição do mundo original
um diálogo com a natureza uma pergunta sem resposta
um pacto forçado após uma batalha
grande expiação»
Zbigniew Herbert
quinta-feira, 13 de maio de 2010
o combate com o demónio #1
quarta-feira, 12 de maio de 2010
o homem de quarta-feira #34
terça-feira, 11 de maio de 2010
Perguntas Abandonadas #8
«Comer um fruto é fazer entrar em si próprio um belo objecto vivo, estranho, alimentado e favorecido como nós pela terra; é consumar um sacrifício em que nos preferimos às coisas. Nunca trinquei o pão das casernas sem ficar maravilhado por a digestão daquela massa pesada e grosseira poder transformá-la em sangue, em calor, talvez em coragem. Ah! Porque não possui o meu espírito, nos seus melhores dias, mais do que uma parte dos poderes assimiladores de um corpo?»
Marguerite Yourcenar, (1903-1987)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
alegações finais #4

«Neste momento, e no limite da noite, soaram apitos. Anunciavam possivelmente partidas para um mundo que me era para sempre indiferente. Pela primeira vez, há muito tempo, pensei na minha mãe. Julguei ter compreendido porque é que, no fim de uma vida, arranjara um "noivo", porque é que fingira recomeçar. Também lá, em redor desse asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto da morte, a minha mãe deve ter se sentido libertada e pronta a tudo reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar por ela. Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por o sentir tão parecido comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muito público na hora de minha execução e que os espectadores me recebessem com gritos de ódio.»
Albert Camus, "O Estrangeiro", Livros do Brasil, 1999
domingo, 9 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
a temperatura do corpo #3
Vladimir Nabokov, "Convite Para Uma Decapitação", Assírio & Alvim, 2006
sexta-feira, 7 de maio de 2010
a poesia não me interessa #20

Até quando estaremos nós à espera do
que nos é devido... E em que curva estenderemos
nossos pobres joelhos para sempre! Até quando
a cruz que nos anima não deterá seus remos.
Até quando a Dúvida nos oferecerá brasões
por ter sofrido... Já nos termos sentado
muito à mesa, com a amargura de um menino
que a meio da noite chora, insone, esfomeado...
E quando nos veremos com os outros, à beira
de uma manhã eterna, ninguém já em jejum.
Até quando este vale de lágrimas, para onde
nunca pedi que me trouxessem.
Cotovelos
firmes, banhando em pranto, repito cabisbaixo
e vencido: até quando a ceia durará.
Há alguém que bebeu muito e está a zombar
e se abeira e afasta de nós - como negra colher
de amarga essência humana - o túmulo...
E menos sabe
esse obscuro até quando a ceia durará!
César Vallejo, "Antologia Poética", Relógio D'Água, 1992
quinta-feira, 6 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
o Mal-estar da Civilização #17

Hermann Broch, "Os Sonâmbulos, Vol. III - Huguenau ou o Realismo", Edições 70, 1989
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Teoria da Conspiração #17 (ou a Importância da Surpresa no Ataque)

Enrique Vila-Matas, "Paris Nunca se Acaba", Editorial Teorema, 2005
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