quinta-feira, 1 de abril de 2010

dia de mentiras



©Field,Todd;2006

quarta-feira, 31 de março de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

explicando melhor #1


- Mas afinal vamos lá a saber, quantos anos têm vocês? (não vale responder com o poema do R. Belo) - perguntou xú.

- Detalhe da última encarnação - disse apenas o Irmão Karamazov.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Chamada a pagar no destinatário #4


«This is an alarm-call, So wake-up, wake-up now, Woo-oo-ooh!»

domingo, 28 de março de 2010

Perguntas Abandonadas #6


«Para que é que inscreves nos túmulos a tua "saudade eterna"?»

Vergílio Ferreira (1916-1996)

sábado, 27 de março de 2010

Teoria da Conspiração #14 (ou a Singularidade de uma Mulher só)



«Lugar 1 - nesse lugar havia uma mulher que não queria ter filhos de seu ventre. Pedia aos homens que lhe trouxessem os filhos de suas mulheres para educá-los numa grande casa de um só quarto e de uma só janela; usava um xaile preto junto de seu rosto; tinha uma maneira distante de fazer amor: pelos olhos e pela palavra. Também pelo tempo, pois desde os tempos de sua bisavó, voltar a qualquer época era sempre possível. A mover-se, olhava por vezes com fixidez um sítio o mais belo de sua casa a casa toda porque toda a casa era bela e começava nesse olhar ora o tempo das crianças, ora o tempo dos homens. Mulheres, não havia outra, além dela, nunca ultrapassavam a entrada, que dava para a terra, terra de jardim onde se podiam dar passeios. Os homens ficavam contentes porque ela dizia todas as vezes não és tu que importas, é o seguinte. Certificavam-se, portanto, de que, no momento antes, haviam sido o próximo.»

Maria Gabriela Llansol, "O Livro das Comunidades",
Relógio D'Água, 1999

sexta-feira, 26 de março de 2010

Orelhas de Elefante #13

Investigações Metafísicas
Judee Sill, "Judee Sill", Asylum Records, 1971
Investigações Geométricas
Linda Perhacs, "Parallelograms", Kapp, 1970

Porque há musicas de outras dimensões.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Toda a humilhação leva à morte #9



«Não penetrais suficientemente na intimidade da forma, não a perseguis com suficiente amor e perseverança nos seus desvios e nas suas fugas. A beleza é uma coisa severa e difícil, de modo nenhum se deixa atingir assim: é preciso esperar as suas horas, espiá-la, apertá-la e enlaçá-la estreitamente para a forçar a dar-se.»

Honoré de Balzac, "A Obra Prima Desconhecida", Edições Vendaval, 2002

quarta-feira, 24 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

o Mal-estar da Civilização #15



SÓCRATES

Um homem que pratica a ginástica e que faça o estudo desta vai prestar atenção ao elogio, à critica e à opinião de qualquer pessoa ou apenas daquele que é o seu médico ou o seu mestre?

CRÍTON
Apenas à deste

SÓCRATES

Portanto, será apenas deste que deve temer a crítica e não apreciar o elogio, sem se preocupar com a maioria.

CRÍTON
É evidente que sim.

SÓCRATES

Assim, deverá agir, exercitar-se, comer e beber como o decidir o único homem que o dirige e é competente, em vez de seguir o parecer de todos os outros reunidos.

CRÍTON
Isso é indesmentível.

SÓCRATES

Estamos, então, de acordo. Mas se ele desobedecer a esse homem único, se desdenhar a sua opinião e os seus elogios para seguir a opiniões da multidão incompetente, não irá sofrer algum mal?

Platão, "Diálogos III - Críton", Pub. Europa-América, 2ª Edição


segunda-feira, 22 de março de 2010

dedicatória #6*



* dedicado ao Livreiro e seu alter-ego por mais um início de primavera.

domingo, 21 de março de 2010

a poesia não me interessa #16



Se os demais não podes destruir,
destrói-te a ti mesmo. Não, não deixes
que por ti o façam outros. Só tem uma meta
a vida, que é a morte.

Alcança-a tu primeiro que os outros.

Morrer é fácil. A natureza
pôs mil e uma razões na tua mente
que à morte a cada instante te convidam.

Busca dentro de ti e hás-de vê-las.

É sábia a natureza, é boa.
Que te realizes é o que se quer, e totalmente.
Que maximamente alcances teu próprio valor.
A plenitude do ser está na morte.

J. M. Fonollosa, "Cidade do Homem: New York", Antígona, 1993

sábado, 20 de março de 2010

a vida não é um sonho #4



«As manifestações de busca irresponsável e infantil pela satisfação imediata de desejos primitivos e da correspondente incapacidade para se sentir responsável pelo que se situa no futuro ainda longínquo, têm que ver com o facto de que, na base de todas as decisões, reside sub-conscientemente a pergunta angustiosa por quanto tempo vai o mundo ainda durar.»

Konrad Lorenz, "Os Oito Pecados Mortais da Civilização", Litoral Edições, 1992

sexta-feira, 19 de março de 2010

é meia-noite no fim do céu #5



«
Muitas pessoas já tiveram a experiência de transcender, mas podem não se dar conta disso. É uma experiência que se pode ter mesmo antes de adormecer. Está-se acordado, mas experimenta-se uma espécie de queda e, possivelmente, vê-se alguma luz branca e tem-se um pequeno choque de beatitude.»

David Lynch, "Em Busca do Grande Peixe", Estrela Polar, 2008

quinta-feira, 18 de março de 2010

electrocardioTrama #6 (ou a actividade metafórica do coração)



«Pela palavra tornamo-nos livres, livres do momento, da circunstância assediante e instantânea. Mas a palavra não nos recolhe, nem, portanto, nos cria e, pelo contrário, o muito uso que dela fazemos produz sempre uma desagregação; vencemos pela palavra o momento e depois somos vencidos por ele, pela sucessão dos momentos que vão levando consigo o nosso ataque sem nos deixar responder. É uma contínua vitória que, por fim, se converte em derrota.
E dessa derrota, derrota íntima, humana, não de um homem particular, mas do ser humano, nasce a exigência de escrever.
Escreve-se para reconquistar a derrota sofrida sempre que falámos longamente.»

quarta-feira, 17 de março de 2010

terça-feira, 16 de março de 2010

Quase nada. Muito.


©Coen,Joel & Ethan;2007

segunda-feira, 15 de março de 2010

Imediatamente embora pouco a pouco #5



«O que é característico da igualdade não é arranjar muito simplesmente uma identidade profunda antropológica, é engendrar uma similitude de essência entre os sexos acompanhada no entanto de um sentimento pessoal de dissemelhança. Somos semelhantes e não-semelhantes, indissociavelmente, sem poder determinar em que reside a diferença antropológica, sem poder fixar nitidamente a linha de partilha. Este o surpreendente destino da igualdade, que nos vota não à similitude, mas à indeterminação, à justaposição intima dos contrários, ao interminável questionamento da identidade sexual.»

Gilles Lipovetsky, "O Império do Efémero", Publicações Dom Quixote, 1989

domingo, 14 de março de 2010

a temperatura do corpo #1



«É isto que explica porque é que o esvaziamento dos gestos corporais nunca pode atingir um "zero de movimento", um "zero de gesto". Se o corpo pode negar o mundo e a representação de si sem se autodestruir, é porque na sua auto-representação alguma coisa lhe escapa.»

José Gil, "Movimento Total – O Corpo e a Dança", Relógio d'Água, 2001

sábado, 13 de março de 2010

Momento Pergaminho #4



«O importante não é a perfeição com a qual conseguimos realizar o que deve provir da vontade, e sim que o que tiver de surgir nesta vida, por mais imperfeito que venha a parecer, seja feito uma vez para que haja um começo!»

Rudolf Steiner, "Arte de Educar baseada na Compreensão do Ser Humano", FEWB, 2005