segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Teoria da Conspiração #9 (ou o manual da descolagem)


«Como estado ideal, a leitura transtorna muitas das distinções que permitem diferenciar os homens entre si e os fazem a nossos olhos mais justos ou menos justos. De um rosto que está entregue à leitura sobe o sussurro ou o murmúrio de quem participa numa grande mente. Cada um que lê reune-se a uma imensidade pensante, em repouso, quem lê está em estado de levitação, pertence a uma imagem pairante.»

Maria Filomena Molder, "Semear na Neve. Estudos sobre Walter Benjamin", Relógio D'Água, 1999

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Retrato de Família #9


Flannery O. Karamazov (1925 –1964)

Considera que a universidade sufoca potenciais escritores?
«Na minha opinião, ainda não sufoca o suficiente. Com um bom professor tantos best-sellers se teriam podido evitar»

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

a vida não é um sonho #1


«Em estado de doença, os sonhos distinguem-se muitas vezes pelo extraordinário relevo, por uma nitidez e uma semelhança incrível com a realidade. Às vezes os sonhos montam-nos cenários monstruosos, mas o ambiente e todo o processo do espectáculo são tão vivos e com pormenores tão subtis, tão inesperados, mas encaixando-se tão bem, tão artisticamente, na plenitude da imagem, que o próprio espectador do sonho não conseguiria inventá-los em vigília, nem que fosse um mestre como Púchkin ou Turguénev. Tais sonhos, sonhos doentios, ficam por muito tempo na memória e causam uma impressão muito forte ao organismo já abalado e excitado do indivíduo.»

Fiódor Dostoievski, "Crime e Castigo", Editorial Presença, 2001

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

o homem da quarta-feira #20



«Do caso de Kafka sabemos muito pouco. Sabemos apenas que sentia uma grande insatisfação em relação ao seu trabalho. Claro que quando ele disse ao seu amigo Max Brod que queria que os seus manuscritos fossem queimados, tal como também Virgílio pediu, creio que ele sabia que o seu amigo não faria isso. Se um homem pretende destruir o seu próprio trabalho, atira-o para o fogo e pronto. Quando ele diz a um amigo muito próximo: quero que todos os manuscritos sejam destruídos, ele sabe que o amigo nunca fará isso, e o amigo sabe que ele sabe, e que ele sabe que o outro sabe que ele sabe e por aí adiante.»

Entrevista a Jorge Luis Borges, "Entrevistas da Paris Review", Tinta da China, 2009

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

é meia-noite no fim do céu #3


«A nota triste dum longínquo grito humano atravessou uma vez mais o rumor que agonizava; e, depois, tudo se calou de repente.»

Vladimir Korolenko, "O Músico Cego", Publicações Europa-América, 1971

domingo, 3 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

sábado, 26 de dezembro de 2009

é meia-noite no fim do céu #2


«Enquanto a sombra repetir no chão o teu corpo inteiro eis que te encontras vivo e completo.»

Gonçalo M. Tavares, "A máquina de Joseph Walser", Editorial Caminho, 2004

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Corpus Christi Carol #1



«O perfume como que fornece o móbil que depois a própria trama se encarregará de intrincar: a qualidade do acolhimento a Jesus.»

José Tolentino de Mendonça, "A Construção de Jesus", Assírio & Alvim, 2004

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

o Mal-estar da Civilização #11


«Não tão viciante como a heroína, menos prejudicial do que o álcool, mas, ainda assim, problemático do ponto de vista ambiental, é o outro grande tranquilizante moderno: ir às compras. Muitas pessoas admitem prontamente que as compras não são tanto um meio de obterem os bens de que precisam, mas a sua principal actividade recreativa. Uma grande dose de compras parece ajudar a ultrapassar a depressão. Ir às compras é o substituto moderno das actividades mais tradicionais da caça e da recolecção. O centro comercial substituiu os antigos territórios de caça. Tal como recolher raízes, sementes e bagas num ambiente árido, as compras podem ocupar uma grande parte do dia. Permitem o desenvolvimento de formas especializadas de conhecimentos e competências. (Como se seleccionam os items certos a recolher? Onde e quando se encontram pechinchas genuínas?) Ir às compras pode até passar por uma actividade útil: o seu componente de lazer pode ser disfarçado ou negado de uma forma que não seria possível se se passasse o dia a jogar golfe.»

Peter Singer, "Como havemos de viver? – a ética numa época de individualismo", Dinalivro, 2005

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009