segunda-feira, 21 de setembro de 2009

o Mal-estar da Civilização #4



"O cego mexe a sua bengala branca como se tirasse a temperatura à indiferença humana."

Ramón Gómez de La Serna, "Greguerías - Uma Selecção", Assírio & Alvim, 1998

domingo, 20 de setembro de 2009

a insónia



©Oplev, Niels Arden;2009

sábado, 19 de setembro de 2009

Orelhas de Elefante #4



Porque há musicas de outras dimensões.

Bill Callahan, "Sometimes I Wish We Were an Eagle", Drag City, 2009


"O universo sonoro: onomatopeia do indizível, enigma desfraldado, infinito descoberto e inapreensível... Sempre que nos expomos a essa sedução, apenas concebemos o desígnio de nos fazermos embalsamar num suspiro."

E. M. Cioran, "Silogismos da Amargura", Letra Livre, 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

a poesia não me interessa #4



O lugar em que temos razão

Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.

O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.

Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída.

Yehuda Amichai, revista "Poesia Sempre", nº 8, Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 1997

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

dedicatória #1*



* dedicada a todas as mulheres a quem nunca lhe foi dirigido um piropo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

o homem da quarta-feira #5



"Num país longínquo existiu há muitos anos uma ovelha negra.

Foi fuzilada.

Um século depois, o rebanho arrependido ergueu-lhe uma estátua equestre que ficou muito bem no parque.

Assim, sucessivamente, de cada vez que apareciam ovelhas negras eram rapidamente trespassadas pelas armas para que as futuras gerações de ovelhas comuns e correntes pudessem exercitar-se também na escultura."

Augusto Monterroso, "A Ovelha Negra e outras fábulas", Angelus Novus, 2008

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Teoria da Conspiração #1



“Obrigaram o corpo humano a comer, obrigaram-no a beber para
evitar pô-lo a dançar”

Antonin Artaud, "Para Acabar com O juízo de Deus", &etc, 1975.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o Mal-estar da Civilização #3

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"O que acontece é que o hábito de pensarmos segundo padrões religiosos amarrou de tal modo o nosso espírito que nós nos assustamos com a nossa própria nudez e naturalidade; esse hábito rebaixou-nos tanto que nós nos consideramos presos ao pecado original, diabos inatos"

Max Stirner, "O Único e a sua Propriedade", Editora Antígona, 2004.

domingo, 13 de setembro de 2009

Retrato de Família #2


Robert W. Karamazov (1878-1956)

sábado, 12 de setembro de 2009

a campanha


©Coppola, Francis Ford;1979

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Orelhas de Elefante #3

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Porque há musicas de outras dimensões.

David Sylvian, "Manafon", Samadhisound, 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

a poesia não me interessa #3

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Virá a morte e terá os teus olhos -
esta morte que nos acompanha de manhã à noite, insone,
surda como um velho remorso
ou um vício absurdo. Os teus olhos
serão uma vã palavra,
um grito mudo, um silêncio.
Assim os vês, cada manhã
quando te inclinas só
ante o espelho. Oh querida esperança,
naquele dia saberemos também nós
que és a vida e és o nada.

Para todos a morte tem um olhar.
Virá a morte e terá os teus olhos.
Será como largar um vício,
como ver no espelho
ressurgir um rosto morto,
como escutar uns lábios fechados.
Desceremos o redemoinho, mudos.

Cesare Pavese, "Trabalhar Cansa", Edições Cotovia, 1997

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

o homem da quarta-feira #3



Desde já calculo que aquilo que de mais duro minha vaidade terá de enfrentar será o julgamento de mim mesma: terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária.

Clarice Lispector, "A Paixão Segundo G.H.", Relógio D'Água, 2000

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Perguntas Abandonadas #1


Que quimera é o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que sujeito de contradição, que prodígio! Juiz de todas as coisas, verme imbecil; depositário da verdade, fossa de incerteza e de erro; glória e nojo do universo. Quem é capaz de deslindar esta embrulhada?


B. Pascal (1623-62)

domingo, 2 de agosto de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Orelhas de Elefante #2



Porque há músicas de outras dimensões.

Eric Matthews, "The Imagination Stage", Empyrean Records, 2008

quinta-feira, 30 de julho de 2009

a poesia não me interessa #2



Uma escrita que suporte a intempérie,
que se possa ler sob o sol ou a chuva,
sob o grito ou a morte,
sob o tempo nu.

Uma escrita que suporte o infinito,
as gretas que se repartem como o pólen.
a leitura sem piedade dos deuses,
a leitura iletrada do deserto.

Uma escrita que resista
à intempérie total.
Uma escrita que se possa ler até na morte.

Roberto Juarroz, "Poesia Vertical", Campo das Letras, 1998

quarta-feira, 29 de julho de 2009

o homem da quarta-feira #2



A partida de Xadrez

"Um ing|ês e uma mulher da Rússia conheceram-se em Capri e viveram um breve e pungente encontro de amor. Depois o Inglês regressou a Londres e a mulher à grande planície. Decidiram continuar o seu amor jogando uma longa partida de xadrez à distância. De tempos a tempos, chegava da Rússia uma carta com uma jogada a fazer e, logo depois, chegava à Rússia uma carta com os números de Londres. Entretanto o inglês casou e teve três filhos. A amante viveu também um matrimónio feliz. A partida de xadrez prolongou-se ainda por vinte anos, com uma carta de cinco em seis meses. Um dia chegou ao inglês uma jogada de cavalo tão astuta que lhe ganhou a rainha. E ele percebeu que a jogada fora realizada por outra pessoa para lhe indicar que a mulher falecera."

Tonino Guerra, "Histórias Para Uma Noite de Calmaria", Assírio & Alvim, 2002