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sábado, 5 de dezembro de 2009

Imediatamente embora pouco a pouco #2



«Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.»

Séneca, "Cartas a Lucílio", Fundação Calouste Gulbenkian, 2004


domingo, 22 de novembro de 2009

Imediatamente embora pouco a pouco #1



«Viver a abolição do tempo, viver esse momento, rápido como o "relâmpago", pelo qual dois instantes, infinitamente separados, vêm "pouco a pouco embora imediatamente" ao encontro um do outro, unindo-se como duas presenças que, pela metamorfose do desejo, se identificassem, é percorrer toda a realidade do tempo, e ao percorrê-la experimentar o tempo como espaço e lugar vazio, quer dizer, livre de acontecimentos que habitualmente o preenchem . Tempo puro, sem acontecimentos, vacância movente, distância agitada, espaço interior em devir onde os êxtases do tempo se dispõem numa simultaneidade fascinante, o que significa tudo isso?»

Maurice Blanchot, "O Livro por Vir", Relógio D` Água, 1984